poemento-me


poemento-me

eu
eu que sou
uma entre tantas
e de palavras sou
e de palavras vou
porque as Outras,
(sou tantas e ninguém)
sabem do medo
e de pudores
e faces rubras
e contêm-se
elas são-me
eu as sou
mas há em mim
essa febre
que se quer verbo
até que eu me encontre
no vento e na vertigem
de ser
eu, frente ao espelho
face tímida-lasciva
de mulher-menina
apetece-me
vestir-me deles
vestir-me delas
e em seus sentidos
eu sou o objeto
eu sou a posse
a febre que é dele
a febre que é dela
em palavras desvendando-me
na nudez de todos nós
há também ele
mas garganta embargada
calei meus desejos
fiz-me quimera

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