De(s)caminhos


sigo descalça entre corpos e sonhos depedaçados
sentindo entre-os-dedos ausência de verve vida
há pedras, espinhos e ferrugem
guiando estes passos bêbedos e famintos

chove agora num lugar qualquer
dançam violentas sob carne e esperança
velhas lágrimas desperdiçadas

unhas e esmaltes descascados de outrora
sobre os destroços da última guerra
 asas cortadas sob agônica aurora

ainda há flores no caminho
ah, estas pétalas sanguinolentas
ferem de espanto minhas iris
farpas em cilios quase adormecidos
     
ácida e lasciva cor em boca-e-dente
estilhaça meus sentidos
resquícios de sonhos e gemidos
sigo em pés desnudos e lamento violino
esqueço-me, anjo perdido em ancestral batalha

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